Junta de Freguesia de Cortiçadas de Lavre Junta de Freguesia de Cortiçadas de Lavre

Caracterização

Cortiçadas de Lavre

A informação disponível e os vestígios encontrados, ainda visíveis em algumas paredes de casas antigas em Cortiçadas e nos povoados próximos, designadamente no Monte Grande, no Monte da Gralheira Velha e na Herdade da Cascada, evidenciam que o nome da localidade de Cortiçadas, teve origem nas casas construídas com argamassa de cortiça e barro - “tijolos de cortiça”, edificadas pelos primeiros moradores. Estas casas tinham a cobertura em colmo e chaminés em “tijolo burro”. Algumas construções, destinadas a instalações de apoio a atividades agrícolas, tais como palheiros, arrumos de alfaias, e cocheiras, utilizavam grandes blocos de cortiça, ligados com terra crua (barro) e palha de centeio. Perto destas construções, foram surgindo, moinhos para moer cereais – os mais antigos, em ruína, datam de 1856 -, poços, fontanários, para serviço das populações - o de Casas Novas e o de Cortiçadas, perto da ETAR, são de grande dimensão -, açudes, enquadrados por paisagens muito belas e por biodiversidades apreciáveis, tanques, para rega e subsistência de pessoas e animais, porque a água é indispensável à vida, às hortas e à agricultura. Foi assim que cada lugar foi crescendo e se formou a aldeia de Cortiçadas, rodeada de povoados e montes. A designação de Cortiçadas de Lavre, deve-se ao facto adicional da localidade estar integrada na antiga Freguesia de Lavre e à proximidade com esta Vila.

Nos finais do século XVIII, com base na informação que consta de livros da escrituração do lançamento da Décima, do então Concelho de Lavre, verifica-se um crescimento da povoação, sobretudo devido à exploração de madeira, carvão, casca e cortiça, enquanto matérias primas abundantes na região. Este desenvolvimento aconteceu gradualmente, apesar de Cortiçadas e da área envolvente terem sido fortemente abaladas pela guerra da independência e muito devastada pelo terramoto de 1755, que teve também como consequência o desaparecimento de documentos e arquivos do concelho de Lavre, onde muito provavelmente se encontravam informações que o caraterizavam. Segundo se crê, alguns desses documentos podem ter sido recolhidos pelo Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Novo, cedidos mais tarde ao da Câmara Municipal.

No período correspondente ao “Estado Novo” a maioria da população de Cortiçadas de Lavre, como nas outras regiões rurais do país, trabalhava de sol a sol e era explorada, com jornas de miséria. Como aconteceu em quase todo o Alentejo, alguns dos seus naturais e novos residentes sobressaíram na contestação a esta realidade, tendo alguns sido presos e fortemente torturados. De entre eles, são de destacar os nomes de Sesinando Marques e de José Maria Gouveia (vulgo José Metaneiro), pela corajosa atividade política de ambos. José Maria Gouveia foi dirigente sindical da Confederação Geral dos Trabalhadores, no mandato que abrangeu o ano de 1918 e um dos membros ativos na formação do Partido Comunista Português, em 1921. No caso do José Metaneiro, depois de cumprir quatro anos de prisão, continuou a sua luta e a ser perseguido pela polícia política. Por ação da PIDE, foi-lhe fixada residência em Cortiçadas, com apresentações frequentes à GNR e por ela visitado.

Entre o final da década de quarenta e os primeiros anos da seguinte, começou a verificar-se um crescimento assinalável da população, com consequente aumento do número de crianças e do interesse das suas famílias pelo cumprimento da escolaridade obrigatória. Por este motivo, as duas salas de aula da Escola Primária, localizada no Largo José Saramago, deixaram de poder acolher mais do que duas turmas. Nessa altura, o benemérito Feliciano Lopes Galvão, homem de grande visão, a quem Cortiçadas muito deve, disponibilizou uma parte de um edifício seu, onde funcionou uma antiga moagem, a poucos metros da rua a que foi dado o seu nome, no qual fez as obras necessárias, para dele fazer uma extensão da Escola Primária, com duas boas e espaçosas salas de aula, que equipou, apoiadas por instalações sanitárias adequadas. Desde modo, foi possível acolher os alunos das quatro turmas que foram surgindo, até à construção e abertura da nova Escola Primária, com quatro salas de aula.

 Na década de sessenta e início da de setenta, viveu-se um longo período muito difícil, devido à guerra colonial, imposta pelo regime político de então, e às suas nefastas consequências. A maioria dos jovens com vinte anos de idade foi recrutada para um dos três ramos das Forças Armadas e cumpriu entre três e quatro anos de serviço militar obrigatório, dois deles numa das colónias, geralmente nas frentes de combate. Dessa guerra resultaram mais de 10.000 mortos, de milhares de estropiados e com problemas psiquiátricos. Entre eles, tanto em Cortiçadas, como em Lavre, em Foros de Vale de Figueira e nas restantes Freguesias do nosso concelho, caíram em combate dezenas desses jovens, de cada uma delas, afetando violentamente os seus familiares mais próximos e os amigos.

Nessa altura, em Cortiçadas de Lavre e nos povoados vizinhos, vivia-se dos parcos rendimentos do trabalho sazonal, à jorna, que ia surgindo, quase mendigado, geralmente sem continuidade e sem qualquer tipo de contrato de trabalho.

Nestas condições, com um elevado nível de analfabetismo e baixas qualificações profissionais, sem eletricidade, água canalizada, saneamento básico, meios de comunicação e instabilidade laboral, faltava quase tudo para que os sinais de melhores dias surgissem.

Entretanto, a eletricidade chegou a Cortiçadas no início da década de sessenta do século passado, tendo contribuído decisivamente para o desenvolvimento da localidade, a melhoria das condições de vida e a fixação de novos habitantes.

Quanto à criação da Freguesia de Cortiçadas de Lavre, há muito desejada pela população local, foi com grande satisfação e entusiasmo que se tomou conhecimento da preparação de uma proposta nesse sentido, elaborada ao abrigo da Lei n.º 63/1988, de23 de maio, que possibilitou a reorganização administrativa do país e que permitiu que fossem criadas, a partir da extensa área da Freguesia de Lavre, as novas Freguesias de Foros de Vale de Figueira e de Cortiçadas de Lavre.

Esta reorganização visava corresponder às crescentes necessidades de desenvolvimento local dos novos territórios atrás descritos e às justas e justificadas aspirações das suas populações, porque lhes daria o direito de eleger democraticamente os respetivos órgãos representativos e de lhes ter maior proximidade, o que contribuiria certamente para a melhoria significativa das condições de vida das populações, da rede de equipamentos coletivos e de infraestruturas, em articulação e com o apoio do Município de Montemor-o-Novo.

Nesse sentido, o Projeto de Lei n.º 153/V, apresentado na Assembleia da República pelos Deputados do PCP, Lino de Carvalho e de Vidigal Amaro, editado na 2.ª série do Diário da República, de 22 de janeiro de 1988, interpretou a vontade expressa pela população, ao propor a criação da Freguesia de Cortiçadas de Lavre.

A aprovação da constituição da Freguesia de Cortiçadas de Lavre foi decidida pela unanimidade dos Deputados presentes na sessão plenária da Assembleia da República, de 11 de março de 1988, da qual resultou a aprovação daquele Projeto de Lei, que deu lugar à Lei n.º 63/88, promulgada em 29 de abril, referendada a 6 de maio pelo Presidente da República Mário Soares e publicada no Diário da República n.º 119, de 23 de maio do mesmo ano, devendo-se a sua constituição territorial à desanexação da antiga Freguesia de Lavre.

O território desta nova Freguesia, com aproximadamente 100 Km2 de área, situa-se no limite Nordeste do concelho de Montemor-o-Novo, com fronteiras a Norte e a Oeste com o concelho de Coruche, a leste com os novos contornos da Freguesia de Lavre, recém-criada, a Poente com o concelho do Montijo, a Sul com a Freguesia de Foros de Vale de Figueira e o concelho de Vendas Novas.

As empresas corticeiras instaladas na Freguesia, a suinicultura e as empresas sediadas em Vendas Novas, têm sido os maiores empregadores da população a ativa de Cortiçadas de Lavre.

Depois de 12 anos de imposição da União de Freguesias de Cortiçadas de Lavre e Lavre que pouco fez por Cortiçadas, foi finalmente reposta a nossa Freguesia pela Assembleia da República, pela Lei n.º 25-A/2025, de 13 de março e eleitas as novas Assembleia e Junta de Freguesia, nas eleições autárquicas no dia 12 de outubro de 2025, vencidas com maioria absoluta, por uma lista apresentada pelo Grupo de Cidadãos Eleitores – Elevar Cortiçadas, que obteve 72,22% dos votos, numa das eleições mais participadas dos últimos anos.

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